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Consultoria lança aplicativo que avalia riscos socioambientais em lotes de transmissão

Consultoria lança aplicativo que avalia riscos socioambientais em lotes de transmissão

Ferramenta faz gestão de diversos dados para trazer previsibilidade e planejamento aos projetos ofertados em leilões, identificando restrições que possam vir a impactar nos prazos e custos dos empreendimentos

HENRIQUE FAERMAN, DA AGÊNCIA CANAL ENERGIA

No setor energético, planejamento e previsibilidade são fatores fundamentais para obtenção de êxito na aprovação e cumprimento de projetos, sobretudo quando se trata da aquisição de lotes de transmissão, que trazem consigo fatores socioambientais que podem atrasar o cronograma de execução de uma obra ou até impedir ou alterar as diretrizes de determinado projeto.

Pensando nesse ponto e identificando demandas entre empreendedores do setor, a Consultoria de Estudos Ambientais e Engenharia Caruso Jr. decidiu lançar o aplicativo IDAP – Índice de Dificuldade Ambiental do Projeto, um sistema de gestão de informações espaciais voltado ao estudo de corredores e traçados de transmissão de energia, que visa apoiar o planejamento para tomada de decisão nas etapas de pré-leilão da Aneel.

Além dos próprios dados aferidos pela empresa, que desde 2015 começou a reunir informações para apoiar seus trabalhos de licenciamento e programas ambientais, a ferramenta utiliza dados de fontes públicas, como da Funai, Fundação Palmares e Ibama, trabalhando com a especialização dos lotes através de 18 variáveis ambientais que compõe o índice, e que são classificadas e sobrepostas de acordo com a relevância com que cada uma representa efetivamente no processo de licenciamento de um lote de transmissão.

“É um complemento de escopo para nós, que já fazíamos essa compilação das informações. Então resolvemos diversificar, ampliar e democratizar isso, disponibilizando o aplicativo para qualquer um que desejar ter essas informações na palma da mão”, contou o Coordenador de Geoprocessamento da Caruso Jr, Marcos Vilela.

O sistema conta visão georreferenciada e integração com informações ambientais, mostrando-se ideal para consulta aos lotes do leilão da Aneel, onde traz uma descrição detalhada das restrições ao meio-ambiente e priorização quanto aos riscos para a obra, indexada e justificada como um ranking dos lotes no certame.

“A oportunidade de uma visão integrada de todos os loteamentos de um leilão é algo que o empreendedor não está acostumado, e que fornece um ganho na capacidade de avaliar o melhor investimento”, destacou Marcos, armando que o mais importante é dar detalhes aos investidores de tudo que podem encontrar após o arremate do lote e o começo dos estudos para construção de uma linha.

Ele conta que a empresa identificou uma demanda a partir de uma necessidade de previsibilidade maior por parte dos empreendedores, que desejavam evitar surpresas durante a construção das linhas, que as vezes por falta de conhecimento disponível acabavam esbarrando em questões que não haviam sido previstas, e que podem atrasar todo o cronograma de licenciamento, ocasionando prejuízo aos investidores.

Na visão do coordenador, os interessados em projetos deste tipo necessitam de uma maior garantia das informações divulgadas: “Atuamos para fornecer uma maior previsibilidade ao investidor na identificação de riscos, num papel que deveria ser cumprido pelo R3 da Aneel, mas que não é efetivo. Então desenvolvemos esse índice, com todo nivelamento das informações do R3, outros planos oficiais e em alguns casos vamos a campo para elaborar esse trabalho com os lotes”, explicou.

De acordo com a consultoria, o principal ponto que esbarra nos licenciamentos em obras de transmissão é a falta de informação, principalmente junto a territórios e comunidades quilombolas e indígenas, formada por uma base incompleta de listas que informam e quantificam esses povos, mas que não apresentam especificações sobre esses locais, haja visto que nem todos estão demarcados ou são oficiais.

“Não há como saber se um corredor irá cruzar com algum território. Então tentamos trazer esses dados para o sistema para cruzar com o corredor e ter maior credibilidade, para que saibamos as possíveis restrições do projeto”, afirmou Marcos Vilela. Outros problemas recorrentes para a obtenção do licenciamento são atrasos devido a sítios arqueológicos, cavidades e unidades de conservação ambiental.

O IDAP começou a ser trabalhado pela consultoria desde 2016 como metodologia interna para apoiar alguns clientes em leilões. Desta vez a ideia foi ampliar a análise e disponibiliza-la para um público de seu interesse, com objetivo de se tornar mais reconhecida entre as concessionárias no mercado nacional e internacional. “Montamos uma equipe forte na área de transformação e geoprocessamento, e desde então estamos lançando produtos no mercado para prospectar novos clientes e mercados”, declarou o coordenador.

Segundo a empresa, até então, 160 downloads já foram realizados via Android e 98 via Iphone, com acessos da China Japão e Índia, já que a ferramenta também foi lançada com versão em inglês para atender a esses investidores externos. “Apresentamos o aplicativo apenas em um evento em SP onde estavam presentes os principais players do mercado, e já tivemos um feedback positivo da State Grid, Alupar e a Sterlite, que começaram a usar a tecnologia”, revelou.

O aplicativo também pode ser acessado via Web, inclusive com o acréscimo de algumas funções em relação aos smarthphones, como a possibilidade do usuário carregar seu próprio dado na aplicação ou fazer medições de área ou distância, o que nos aparelhos celulares não é possível devido a incompatibilidade de espaço.

Marcos também ressaltou que a base de dados da aplicação está sendo atualizada constantemente até a data do próximo leilão. “Nosso objetivo é ampliar o escopo, procurando também novas fontes para buscar atualizações, subsidiando de informação e dados confiáveis os empreendedores”. A ideia é ganhar competitividade na hora de trabalhar com propostas para licenciamento desses lotes, mostrando o conhecimento de causa de cada um, através de pesquisa e conhecimento cada vez mais associado à questão tecnológica, cujos investimentos da empresa apontam para evolução desse setor. “Queremos ser reconhecidos não só como uma empresa ambiental, mas como uma empresa de tecnologia associada ao meio ambiente”, concluiu.

Canal Energia